domingo, 4 de outubro de 2015

A Delegada

Salto vermelho... Passos firmes como de uma modelo, ela vem em minha direção  feroz como uma ventania e leve como uma brisa., me sinto perdido. Em suas mãos ela esconde algo que ainda não consigo identificar o que seja e estou com medo.
Seu olhar é frio e triste parece esconder algo, traz consigo uma bagagem dolorosa, ela se aproxima de mim, extremamente elegante, e pede classe A no vôo, eu fico apaixonado, quem é ela? Ela sorrir olhando pra trás, como se sentisse falta dali ,mas, também firme como se entendesse que seu tempo ali acabou. Olhando pela janela ela meche em seu iphone, seu olhar é tão misterioso que não consigo desvendar o que eles pensam e sentem naquele momento. A todo instante ela olha pra trás, na esperança de que alguém a impeça de partir dali.
Sua mente sabe que precisa ir porem seu coração ainda está preso as lembranças daquele lugar, lembranças essas que ela precisa esquecer; ela abaixa seus óculos escuros e suspira bem fundo, então eu penso “Não vem”. Ela tem um ar misterioso, ao mesmo tempo em que é doce, é fria, parece agir mais com a razão do que com a emoção, não consigo tirar meus olhos dela, ela é tão única que se torna minha atração principal ali; queria saber o que tanto a faz pensar, ela parece esta ferida, mas, ao mesmo tempo é tão decidida, e isso me assusta, o que essa mulher foi capaz de deixar pra traz sem ao menos tentar?
O avião então pausa e começamos a embarcar, lembro-me que ela disse que é classe A, e  minha curiosidade só aumenta, (risos), ela entra seria e firme, e me perco em cada passo que ela dá; senta se sozinha, põe seu fone de ouvido ,inclinando se para a janela ela continua suspirando fundo e dessa vez ainda mais triste, a aeromoça a serve um bom vinho, e de maneira educada e gentil, ela sorrir agradecendo, seu sorriso é triste assim como seus olhos. Ela cruza suas pernas e enquanto degusta o vinho continua olhando pras nuvens, queria entender ou poder lê seus pensamentos, o que a faz voltar?
É então que um senhor de idade senta ao meu lado, cabelos brancos, sorriso meigo, e começa a olhar e começa a dizer com sua voz embargada do tempo, cansada.
“Meu filho á vida é como aeroportos cheios de idas e vindas, e em todas as essas idas e vindas algo é deixado pra trás, não temos controle do que vem assim como não temos controle do que fica, somos obrigados a embarcar a cada novo ciclo sem sabermos o que nos espera, o medo do novo nos faz temer mais ainda, mas á verdade é que quando o avião chega é preciso embarcar. Essa bela jovem embarcou aqui quase a um ano, estava totalmente perdida como esta agora, estava triste, sozinha, não sabia o que ia fazer, nem ao menos quem era, lembro me de seus olhos cheios de lagrimas, pois alguém tinha embaçado junto com ela, mas , no meio tempo, ficou atrás á deixando seguir esse vôo sozinha, sem ao menos conhecer nada. Ela no meio desse tropeço de vida á ajuda de duas pessoas que não só a apoiaram mas como a ensinou muita coisa, mas, se ela essa nobre mulher todo esforço é unicamente dela,  ela é sozinha meu caro, sabe lidar tão bem com o perigo que assusta a forma como ela pensa.  E hoje a vendo aqui voltando pra casa, eu me pergunto o que a fez voltar? E a resposta é tão clara como a taça de vinho que ela bebe.” 
Eu então perguntei: Diga-me o que á faz voltar? Porque ela teve que voltar? . “O senhor se inclina para mim novamente e me diz:” A vida é meu filho! A vida á fez voltar...  Alias  ela não esta voltando pra casa não, ela continua seguindo sua jornada, ela é decidida demais pra esperar o tempo decidir por ela, as pessoas que a ajudaram agora a deixaram de lado, e a sua única escolha foi seguir, ela sabe que foi real, mas o sonho acabou, e ela precisa voltar a sonha de novo, mas ela sabe que aqui não mais.”   Eu olho para ela e ela continua olhando pela janela, quem é ela?
Durante todo o vôo a admiro, e é incrível a forma delicada e segura que ela age, me sinto flutuando sempre a que olho, finalmente o avião desembarca, e a espero descer, preciso saber qual direção ela seguira. Ela passa por mim, seria perfumada, sorrindo, sim ela esta sorrindo! Ao chegar no aeroporto ela pega as suas malas,  eu a sigo, chegando La , um belo carro a espera, um homem da á chave a ela, e ela entra segura, sorrindo e olha pra mim, então ela arrasta o carro, e segue na direção do novo, na direção certa, na direção dos seus sonhos e na contramão dos seus medos.
Quando olho para trás vejo o senhor que me contou sobre ela, é então que sinto coragem para perguntar a ele quem é ela? Ele segura em minhas mãos e sorrindo diz:
“ELA? Ela é a mulher que você sonha, domadora de si mesma, ela não de ninguém, anda sempre sorrindo, mas carrega em seu peito cicatrizes que ate hoje não foram fechadas. Ela sabe ser menina, mas pensa e age como uma verdadeira mulher consegue tudo o que quer somente com o olhar, ela é o perigo do que você chama de certo, e a certeza do que é incerto com ela não existe metade, pois ela é inteira demais. Sabe quem é ela? Ela é a senhora da LEI!”
Então pergunto, porque a senhora da lei teve que voltar? Ele baixou a cabeça e disse: “Quem meche com o perigo vive sobre missão, e ela foi La fez sua missão e voltou, e agora ela volta, pra cumprir sua nova missão, por isso ela esta sorrindo.” Respondo: e ela sempre vence ou às vezes fracassa?  ... “Meu filho durante todo esse tempo a que a conheço que a vi atuando, já a vi sim chora, sofrer, porem fracassar? Nunca vi! Sua mira é invejável, ela sabe como agir, e perder não esta em sua vida, ela age como se não fosse morrer, ela é feroz e totalmente indomável.”

Então por mim eu faço minha ultima pergunta... Diga-me qual é a sua missão?... Ele sorrindo me responde “A sua missão é ser delegada, delegada de seus sentimentos..., mas tome cuidado com ela, ela quando quer ser consegue ser a pior bandida que você já conheceu, por isso não passe por cima dela, ela é o que é, e justiça esta no seu sangue! Ela é como a arma que ela possuir, se você não sabe lidar com armas , não se atreva a mexer com ela, a depender da forma que a manuseie, ela atira.”


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